segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A LIÇÃO DA CADEIRA CERTA

 

Em algum ponto amadurecemos e mudamos a pergunta. Deixamos de procurar defeitos em nós e começamos a observar o cenário: Por que continuo tentando sentar onde nunca houve um lugar para mim? A resposta educa o coração.
Cada um de nós carrega uma mesa simbólica na vida. Nela se partilham conversas, afeto, projetos e silêncios. Em algumas mesas, alguém puxa uma cadeira assim que você chega. Há olhos que acolhem, espaço que se abre, presença que é natural. Nesses lugares você não precisa explicar quem é, nem encolher para caber. A dignidade é o talher.
Existem outras mesas. Umas deixam você de pé, outras atrasam a cadeira como se o tempo fosse um teste. Ali, o convite é condicional: primeiro prove que merece. Aos poucos, a dúvida entra, a autoestima se desgasta, a alma desaprende a confiar. A lição é dura, porém libertadora: quando o lugar precisa ser implorado, o problema não é quem se senta, é a mesa que não sabe acolher.
Perseverar onde não há espaço não é virtude, é exaustão. É confundir insistência com amor próprio. Honrar a própria vida é reconhecer que pertencimento não se negocia. Você não é favor, é pessoa. Não se demore em ambientes que tratam sua presença como incômodo. Onde o respeito exige desconto, a paz pede saída.
A sabedoria está em escolher mesas que sustentem quem você é. Mesas onde a conversa amplia, o silêncio não assusta e o pão circula sem contagem. A cadeira certa existe, e costuma ficar ao lado de pessoas que celebram a sua autenticidade, não a sua performance.

A lição final cabe no gesto simples de levantar-se. Levantar não é desistir, é graduar-se em amor próprio. Quando você se afasta do lugar que fere, abre caminho para o encontro que cura. Procure a mesa onde sua presença conta. Sente-se. Respire. Partilhe. O mundo muda um pouco toda vez que alguém aprende a escolher onde pousar o coração.

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